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  Segunda-Feira, 19 de Maio de 2008


Entrevista a Pedro Dias do Google

publicado por Redacção Kazulo

Entrevista a Pedro Dias do Google

Este blog inicia hoje um ciclo de entrevistas a profissionais ligados ao e-Marketing, à Publicidade Online e aos comportamentos de anunciantes e utilizadores destas duas áreas.


Começamos  com Pedro Dias, responsável do Google pela Equipa de Qualidade (Search Quality) para a língua portuguesa, a quem deixamos aqui um «muito obrigado» pelo tempo dispensado para responder às nossas perguntas.


Aqui fica a entrevista:

 

Redacção Kazulo (RK): Diz-se que existe um português em todos os canto do mundo. Como é que um algarvio vai parar à sede europeia do Google?

Pedro Dias (PD): Sempre fui um apaixonado por tecnologias, internet e computadores, comecei a brincar com eles muito cedo e tenho a certeza que estes foram apenas alguns dos factores que me ajudaram a chegar à Gooogle... o facto de ser do Algarve não teve qualquer influência.


RK: Muito se fala do espírito de equipa do Google e da forma como acolhem e tratam os funcionários, e exemplo disso são as novissimas instalações em Zurique. Como é trabalhar no Google?

PD: Em duas palavras eu diria que é imesuravelmente recompensador, sinto-me como "numa passagem secreta para o futuro" :), desde a comida oferecida ao espírito de equipa e de entreajuda. Considero-me uma pessoa de sorte, não apenas porque trabalho na Google, mas também pelas pessoas com quem trabalho.
Estou aqui há mais de 2 anos e a Google põe sempre os funcionários em primeiro lugar em todos os aspectos... Isto faz uma grande diferença!


RK: Quais são as suas responsabilidades e como são elas visiveis pela comunidade nacional?

PD: Faço parte da Equipa de Qualidade e o meu trabalho é tornar os resultados de pesquisa do Google na melhor experiência possível, eu diria que a visibilidade é directamente proporcional ao sucesso do Google como motor de pesquisa. Colaboramos com uma variedade de equipas tentando melhorar sempre o algoritmo e grande parte dos processos de acesso, indexação e classificação.
Sou também responsável pela comunicação com webmasters de língua Portuguesa, a maioria desta contribuição é visível em blog posts [1] e no
Grupo de Ajuda a Webmasters do Google.


[1]

- http://googlewebmastercentral.blogspot.com/2007/04/indexar-o-seu-site.html
- http://googlewebmastercentral.blogspot.com/2007/11/dozen-ways-to-discuss-webmaster-help.html
- http://googlewebmastercentral.blogspot.com/2008/01/growing-webmaster-help-groups-team.html


RK: O interesse nacional pelo SEO tem vindo a crescer? Em quantidade e qualidade?

PD: Creio que o interesse por SEO é um interesse em crescimento em todo o lado; existem obviamente mercados e países mais maduros e desenvolvidos no que toca a esta prática. Quanto à qualidade eu diria que é proporcional ao quão útil é para os utilizadores e quão ético é. Se considerarmos SEO como um modo de fazer a informação mais universalmente acessível a todos, é provavelmente mais ético do que apenas considerarmos como um modo de enganar os motores de busca.


RK: E a utilização do Webmaster Tools?

PD: As Ferramentas do Google para Webmasters têm sido um verdadeiro sucesso, são uma excelente maneira de ajudarmos os webmasters a monitorizar e melhorar os seus Web sites; temos também feito muitas melhorias devido a pedidos de webmasters. A prova do sucesso são as inúmeras funcionalidades adicionadas em diversas línguas. Para além disso é um produto livre que todos os webmasters devem usar; fornece muitos sinais úteis na monitorização de um site nos resultados de pesquisa do Google tais como estatísticas de pesquisa, erros de acesso, robots.txt, sitemaps, etc. Recomendo vivamente uma visita, é tão fácil como www.google.pt/webmasters.


RK: Um desafio... reordenar a lista abaixo consoante a relevância que podem ter na obtenção de bons rankings nos resultados de pesquisa (do mais importante para o menos importante):

  • Utilização de keywords contextualizadas no title de cada página
  • O texto dos links externos para o site
  • PageRank
  • Idade do site
  • Utilização de keywords no texto da página
  • Qualidade dos inbound links (contextualizados e de sites de referência para o mesmo tema)
  • Link no Dmoz
  • Regularidade de actualização de novos conteúdos
  • Utilização de Tag H1 com título da página
  • Coerência entre meta-tags, H1 e keywords no conteúdo
     PD: Todos estes factores são importantes, mas de modo a preservar a qualidade dos nossos resultados de pesquisa eu não posso discutir a relevância de factores específicos. Eu sugiro foco no utilizador, leitura das Directrizes de Qualidade do Google e aplicação das mesmas.


RK: E quais os que mais podem prejudicar os rankings?

  • Conteúdo duplicado ou duplicado parcialmente

  • Links para sites duvidosos e de baixa qualidade

  • Utilização das mesmas meta-tags em várias páginas

  • Utilização excessiva de keywords no conteúdo da página

  • Venda de links

PD: Ver resposta à pergunta anterior e adicionar bastante da frase "Eu faria isto se os motores de pesquisa não existissem?"


RK: Que consequências terá o Acordo Ortográfico nos motores de busca do ponto de vista de quem trabalha neles? E para os utilizadores?

PD: Acho que ainda é muito cedo para uma afirmação definitiva, na minha opinião isto será algo que terá o seu processo natural por todas as partes envolvidas, o conteúdo on-line certamente seguirá os mesmos passos.


RK: Dizem que conteúdo é Rei, mas será que não existem áreas de negócio onde as imagens são o Rei? Ou seja, será que dependendo dos termos de pesquisa, o Algoritmo se altera para oferecer resultados relevantes em termos de Imagen/Flash/ ou Texto?

PD: O conteúdo on-line não consiste unicamente de texto, exitem também imagens, e um enorme conjunto de conteúdo rico de multimedia, tal como Flash; os webmasters devem sempre fazer os possíveis para que os conteúdos que publicam sejam entendidos da melhor maneira possível por motores de pesquisa, beneficiando assim do trabalho árduo que tiveram.
O Google tentará sempre mostrar os resultados mais relevantes para cada tipo de pesquisa. Na maioria dos casos podemos predizer se um utilizador quer uma imagem ou apenas resultados de pesquisa, e continuaremos sempre a fazer os possíveis para melhorar esta experiência.
Num post no
Grupo de Ajuda a Webmasters do Google [1], falámos já nas melhores maneiras de utilizar Flash e conteúdo que não seja texto.


RK: Muito se tem falado da compra de Links e das penalizações aplicadas pela Google a quem os vende, através do decréscimo do pagerank. No entanto, a troca de links e até mesmo a sua venda, pode ser legitima, por não ser nada mais que uma forma de publicidade, existente desde o Inicio da Internet. Nesta perspectiva, porque é que a Google tomou a posição de penalizar esses sites?

PD: Trocar links não tem de ser necessariamente mau, links são bons e todos devemos ligar conteúdo. Devemos ver os links como uma maneira de dizer "aqui está algo que eu acho útil e recomendo aos meus leitores". O problema começa quando os links são utilizados meramente como uma maneira de manipular PageRank em vez de um voto de qualidade e reputação.
Recomendo vivamente que leiam o
post do Matt Cutts acerca da venda de links que passam PageRank [1]. Existe também no Grupo de Ajuda a Webmasters do Google um encadeamento [1] onde este assunto já foi discutido.


[1]
- http://groups.google.com/group/Google_Webmaster_Help-Indexing-pt/browse_frm/thread/707eb92c96ab1111


 
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